“A 3 de novembro de 1890, Elisabeth van de Meulenhof e Guilherme van Lieshout receberam o oitavo de seus onze filhos, um menino que recebeu o nome de Humberto, ao sul da Holanda. A família dos Lieshout era católica praticante e fazia questão de testemunhar sua fé, como forma de propiciar o enfraquecimento do protestantismo, como era praxe e recomendação oficial das autoridades católicas empenhadas em melhorar sua influência e aumentar seu poder.
 
Aos cinco anos de idade, o menino ingressou na Escola Infantil do Instituto São José, estabelecimento fundado e mantido pelas freiras da congregação de Schijndel. Da convivência da escola alegre, mas de ensino fraco, ele passou a estudar na Escola Latina de Gemert, um dos estabelecimentos de primeiro grau mais antigos do país, a uns 10 quilômetros de Aarle-Rixtel, distância que cobria a pé, com seus companheiros, todos os dias.
 
Bem crescido e já terminando seu curso em Gemert, Humberto preocupava-se com seu futuro ao imaginar-se, a partir de então, obrigado a dedicar tempo integral à agricultura, tarefa que não o atraía. Mas, um belo dia, após uma reunião com os jovens, o vigário paroquial chamou-o em particular e falou-lhe sobre possibilidades que via para que ele ingressasse no seminário. Como Humberto não se manifestasse, o sacerdote fêz-lhe um convite direto e insistente.
 
O jovem que, desde a infância, sentia-se atraído pelas funções e pelas práticas sacerdotais respondeu que daria resposta, após conversar com seu pai. Foi em casa com o coração saltando de ansiedade pela satisfação de ter sido convidado para ser padre, e pelo temor de que seu pai recusasse permitir-lhe afastar-se de casa para estudar, por causa das despesas maiores que pesariam sobre o orçamento familiar. 
 
Guilherme e Elisabeth ficaram radiantes com o chamamento de seu filho para trilhar o caminho do sacerdócio. Para eles era honra ter seu filho escolhido dentre tantos jovens de sua idade para preparar-se a fim de exercer um mistér tão importante e sublime. Com entusiasmo incentivaram-no a responder afirmativamente ao padre, pois seria difícil uma segunda chance. Por isso, a 5 de setembro de 1905, Guilherme entregou seu filho aos cuidados do padre superior do seminário Menor da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, na cidade holandesa de Grave, onde começou os estudos a partir do curso de admissão ao ginásio, etapa bastante atrasada para sua idade.
 
A 10 de dezembro de 1913 começou seu tempo de noviciado canônico na congregação, em Trêmelo, cidade belga onde nasceu o padre Damião de Veuster, fato que, por coincidência ou disposição divina causou-lhe muita emoção. Conforme costume da congregação, ao receberem o hábito religioso, os noviços assumiam novos nomes. Humberto passou a chamar-se Eustáquio.
 
Eustáquio superou bem as provações do noviciado e, a 27 de janeiro de 1915, emitiu os votos religiosos temporários na pequena e simpática congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria fundada na França. Após o curso de filosofia, realizado em Grave e Tilburg, no final de 1916, Eustáquio passou a residir no seminário maior de Bavel para cursar teologia, Aí, a 18 de março de 1918, fez os votos perpétuos.
 
A 10 de agosto de 1919, escreveu à Faustina, uma de suas três irmãs freiras: “Estou tão feliz e a vejo feliz também, por saber que você alcançou a graça pela qual implorou tão fervorosamente. Como é grande, por isso, a felicidade de nossos pais…”. Em outra carta dirigida às outras irmãs freiras registrou: “Peço-lhes que, durante toda a minha vida sacerdotal, vocês sejam como Moisés na montanha. Nesse sentido dêem suas vidas e seus trabalhos pelo bom êxito de meu ministério sacerdotal”.
 
Padre Eustáquio deixou sua pátria, talvez pensando em seu modelo, Damião de Veuster, que um dia também se lançara na aventura de uma viagem pelo oceano, sem saber ao certo a quem destinaria suas forças, seus dons e sua vida, no outro lado do mundo. Dia 12 de maio, ao desembarcarem no Rio de Janeiro, padre Eustáquio e seus companheiros, …, hospedaram-se no convento dos frades carmelitas, na Penha, à espera do momento de mudar-se para alguma paróquia, em algum recanto do país.
 
Dom Antônio de Almeida Lustosa, recém empossado, os acolheu com muita cortesia na cidade de Uberaba. Ofereceu-lhes a paróquia de Nossa Senhora da Abadia, em Romaria, então chamada Água Suja, localidade que eles conheceram a 21 de maio, conduzidos pelo pároco de Estrela do Sul, padre Benjamin Cerqueira, encarregado pelo prelado de apresentá-los à liderança paroquial, mostrar-lhes o santuário, a casa paroquial e os livros de registros canônicos e financeiros.”
 
Parte retirada do livro intitulado PADRE EUSTÁQUIO de José Vicente de Andrade.
 
Depois da cidade de Romaria, padre Eustáquio passou na cidade de Poá, Patrocínio, Ibiá e Belo Horizonte. 
 
Faleceu no dia 30 de agosto de 1943 na cidade de Belo Horizonte. 
 
Hoje é preciso que o Vaticano e a Ciência comprove mais um milagre realizado por ele para se tornar santo.
 
Padre Eustáquio, rogai por nós! Nós vos pedimos, saúde e paz!
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