Na parede da sala de estar,
Ao lado do vinho tinto colocado a mostra,
Molduras de flores amarelas amarrotadas pelo tempo,
Nascem o puro e imperfeito;
Sonhos e precisão;
Duvidas e persistência.
Na estante, ainda taças com vestígios de batom.
Vestígios de uma noite insana.
Sob a mesa ainda a velha caneta tinteira ao lado de um bloco de papel envelhecido.
Ainda cinzas de cigarro procuram o perfume do vinho tinto.
Percebo que as flores amarelas naquela moldura ainda exalam o perfume da tinta fresca da tela.
Olhando ao meu redor, vejo lençóis amarrotados;
Vestígios da insanidade que ainda perfumava a colcha de cetim.
Lembro-me de cada detalhe ao tocar teu rosto.
Ainda sob a mesa,
Manuscritos de um texto comum.
Ainda sem nexo e propósito.
O candelabro ainda aceso, ilumina o nascer do sol na fresta da janela sob aquelas palavras.
O barulho do transito já me enlouquece;
Palavras surgem ao reler cada verso.
Seu rosto ainda sereno, adormecido me inspira.
Tudo parece ganhar forma, nexo e precisão.
Aquele papel velho e amarelo se preenche com sínteses de sonhos.
Apenas transcrevo a insanidade do sonho da noite anterior.
Apesar do barulho que me enlouquece,
Vejo o silencio em tua face.
Inspiração para continuar sonhando.
Voltando aos lençóis de cetim envolto ao seu corpo,
Do silencio, adormeço!
Lucas L. Martins – 03/10/2014
Uberlândia/MG