Maria Bethânia já havia sido beneficiada. Agora foi a vez de Nando Reis e Gal Costa.

O episódio em que a cantora Maria Bethânia passou a ser enxovalhada, ao pedir RS$ 1,2 milhão ao Ministério da Cultura, passa a ser café-pequeno quando se analisa a base de dados do governo, em que constam os pedidos milionários de verbas para projetos culturais. Trata-se de um autêntico Bailão da Viuvona: até porque, no quesito música, nomes consagrados, artística e monetariamente, não se comprazem em sobreviver do mercado, como nos Estados Unidos. Todo mundo quer mamar nas tetas da vaca profana do Ministério da Cultura.
Por falar em Bailão da Viuvona, o ex-Titã Nando Reis pediu ao governo RS$ 2,1 milhões para o seu projeto pessoal, o Bailão do Ruivão. Já a decana banda Tchakabum tem R$ 1.629.000,00 aprovados para divulgar o “neo pagode”. A cantora Gal Costa tem aprovado o valor de R$ 2.185.735,00 para gravar DVD de 8 shows. Não se pode dizer que o Ministério da Cultura oculta tais pedidos: eles estão ali para ser consultados. Mas, como escreveu Edgar Allan Poe, em seu conto “A Carta Roubada”, talvez a melhor forma de ocultar algo seja torná-lo público. No caso, a base de dados do Bailão do Viuvão é pública, mas não evidente. Aqui você encontra a lista milionária das verbas dos que querem mamar nas tetas da vaca profana do Estado,e pode investigar projetos semelhantes ao de Maria Bethânia., que ora estão taxeando http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2011/02/CNIC-184.pdf
De posse do número do projeto, colhido no endereço anterior, aqui você o digita, e obtém dados do dono do projeto http://sistemas.cultura.gov.br/salicnet/Salicnet/Salicnet.php Desde 1966 os EUA dispõem de leis de acesso a informações públicas. São as chamadas “sunshine laws”, calcadas num artigo escrito, em 1913, pel o então juiz da Suprema Corte, Louis Brandeis, para a revista Harper’s Weekly. Lá ele referia que “a luz do sol é o melhor desinfetante”. Os EUA costumam declarar nas páginas do governo, onde o leitor encontra tais informações, que está aplicando o “Foia”, ou Freedeom of Information Act. Veja, por exemplo, como isso é declarado na página do Depto. de Estado dos EUA http://www.state.gov/m/a/ips/ Ao contrário desse quadro, o Brasil não dispõe de uma lei de acesso a informações públicas. Na falta de acessos mais claros, coube aos usuários do Twitter tornarem públicos tais atalhos.
Coube a um site, lastreado no twitter, divulgar a íntegra do projeto de Bethânia. http://www.implicante.org/arquivos/projeto_bethania.pdf Vaca Profana No sábado passado foi cancelada uma apresentação que Maria Bethânia faria em outubro na cidade de Vitória, no Espírito Santo. O show era parte do 3º circuito de teatro do Banescard, a bandeira de cartão de crédito do Banest es, casa bancária do Estado. Maria Bethânia faria aos capixabas o show “Bethânia e as Palavras”. Tal modelo de show e deu origem ao projeto do blog “O Mundo Precisa de Poesia”, que acaba de ser aprovado pelo Ministério da Cultura autorizando a artista a captar no mercado R$ 1,35 milhão com base na Lei Rouanet, que autoriza as empresas a descontar a cifra do Imposto de Renda. Segundo o blog de Josias de Souza, o banco afirma que “não existe conexão entre o cancelamento do show e as notícias [sobre Bethânia]”. De todo o valor solicitado pela cantora, R$ 600 mil destinam-se a sua remuneração. O Banestes divulgou nota atribuindo o cancelamento do show de Bethânia à “readequação do planejamento dos investimentos culturais”. Referem que “o objetivo é aplicar as verbas de patrocínio em sintonia com a política do governo do Estado para o segmento”. Porém, foram mantidas todas as outras apresentações agendadas para o seu circuito teatral, como Marisa Orth, Rodrigo Fagundes, Marco Nanini e Betty Faria. O primeiro artista a reagir foi o cantor e compositor Lobão. “Este país não pertence a nenhum de vocês, pertence a todos nós”, declarou Lobão, no jornal das 22h da Globo News, da sexta-feira passada.
Fonte: http://www.brasil247.com.br/ por Claudio Julio Tognolli
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É dificil até ter palavras quando vemos essas coisas como a notícia acima acontecendo e logo já passa em nossa cabeça: só no Brasil mesmo para acontecer isso.
Essa verba que devia ser para artistas independentes, que lutam no dia-a-dia e noites nas ruas, bares, restaurantes para conseguirem as vezes o seu pão de cada dia e que só querem viver dignamente do seu trabalho se veem deixados para trás por artistas famosos e até mesmo consagrados pegar milhões junto ao Ministério da Cultura para projetos maiores, de maior expressão.
Aí pensamos, por que não se pega esse dinheiro e investe em cidades do interior, resgatar projetos culturais pelo Brasil, inserir cultura nas escolas brasileiras ao invés de financiar artistas famosos? E será que nenhum deputado ou senador averiguará isso para nós brasileiros que pagamos impostos e lutamos diariamente para um país melhor? Quanta hipocrisia.

É hora de acordamos e nos informarmos mais sobre essas verbas distribuídas e não ficar simplesmente de braços cruzados vendo a banda passar.
Pra frente Brasil, acorda Brasil..Temos muito ainda que mostrar e conhecer.
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